Descubra por que dengue, COVID-19 e outras infecções causam queda capilar significativa. A Dra. Anna Cecilia Andriolo explica o eflúvio telógeno e os tratamentos disponíveis para essa queda que costuma ser temporária, mas pode incomodar
Nos últimos anos, uma queixa tem se tornado cada vez mais comum nos consultórios de tricologia: a queda de cabelo acentuada após episódios de doenças infecciosas, especialmente dengue e COVID-19. Este fenômeno, embora alarmante para quem o vivencia, é uma resposta fisiológica compreensível do organismo sob estresse.
Para entender por que essas doenças causam queda capilar, é essencial compreender o ciclo natural do cabelo. Os fios passam por três fases:
- Crescimento (anágena);
- Repouso (telógena);
- Queda (catágena).
Em condições normais, apenas 10-15% dos fios estão na fase telógena. Mas tanto a dengue quanto a COVID-19 desencadeiam o que os especialistas chamam de eflúvio telógeno. Isso ocorre porque ambas as doenças provocam uma tempestade de citocinas pró-inflamatórias. Essas substâncias, necessárias para combater o vírus, também interferem no ciclo do folículo piloso, “adormecendo” precocemente uma grande quantidade de fios.
Durante uma infecção severa, o corpo redireciona todos os recursos – vitaminas, minerais e oxigênio, para os órgãos vitais e o sistema imunológico. O folículo piloso, considerado não essencial nesse momento de crise, é negligenciado.
Quanto tempo dura o eflúvio telógeno pós-COVID e dengue?
Um aspecto crucial é o timing da queda. Diferentemente do que muitos pensam, os cabelos não caem durante a fase aguda da doença. O pico de queda geralmente ocorre 2 a 3 meses após o gatilho e durante o episódio infeccioso.
Porém, na COVID, esse tempo é ainda menor.
Isso acontece porque é o tempo que o folículo leva para transitar da fase de crescimento para a de queda após o choque.
A queda é tipicamente difusa, ou seja, espalhada por todo o couro cabeludo, e não em áreas localizadas.
Em geral, o quadro é autolimitado e pode durar até 6 meses. No entanto, sem os cuidados adequados, o eflúvio pode se tornar crônico.
Outras infecções que podem causar queda de cabelos
Embora dengue e COVID-19 sejam os exemplos mais notórios atualmente, qualquer situação que coloque o organismo sob grande estresse pode desencadear o mesmo processo. Outras causas comuns incluem:
- Infecções bacterianas graves;
- Cirurgias de grande porte;
- Traumas físicos;
- Estresse emocional severo.
O primeiro passo para saber a causa da queda é uma consulta detalhada e o exame de tricoscopia, que permite confirmar o padrão de eflúvio telógeno e afasta outras causas de queda, como alopecia androgenética ou alopecia areata.
Se você notou uma queda acentuada de cabelo após uma infecção, não espere que o problema se resolva sozinho. Agende uma consulta. Diagnóstico precoce sempre é a chave para o sucesso de qualquer tratamento.
